sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Esse bar chamado vida.

 - Garçom!
 - É Marcelo o nome do cara.
 - Eu to bêbado, meu... Ei, Marcelão!
 - Opa!
 - A conta não tá fechando, mano.
 - Como assim?
 - Confere comigo: Todo mundo é invejado, mas ninguém inveja.
 - Aham.
 - Todo mundo convive com pessoas más, mas todos são bons.
 - Isso...
 - Quando quem veste a camisa contrária faz merda, são uns merdas. Quando quem veste a mesma camisa faz merda, são minoria. A conta não fecha.
 - É porque você se esqueceu que todo mundo é hipócrita.


quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Cartas de um vagabundo desarmado - Sobre frutos e plantações e outras vidas.



Chuva antes da nuvem.
Mergulho antes do salto.
Travessia antes da ponte
Revide antes do assalto.

Prêmio antes da sorte
Chegada antes da ida.
Sangue antes do corte.
Morte antes da vida.


quinta-feira, 29 de agosto de 2013

"Eles jogam com doze. E jogar com doze deveria ser proibido."*



Não. Não foi o jogo da final que vimos ontem à noite, também não passou perto de ser a melhor partida do Flamengo na década. `

Infelizmente,  precisamos nos explicar aos torcedores arco-íris sobre os acontecimentos da noite passada. Temos total consciência sobre a partida que jogamos ontem. Sabemos que foi só uma vitória por um a zero, que não valeu o título e nem a classificação para a libertadores. Isso deve ser muito bem sinalizado para situá-los sobre o que houve, porque para eles, euforia desse porte é guardada para partidaços de nove gols, com virada histórica e gol de placa aos 49' do segundo tempo (alguns guardam tal contentamento para outras vidas, foi-mal-to-de-brinks-migs).

Novamente, precisamos fazê-los entender que o Flamengo é colossal, e que sua torcida é ainda maior do que o próprio. Ela é maior do que todos os nossos brasileiros e maior do que o mundial de 81, nossa raça não vem de títulos, apesar de já ter comemorado todos. Nossa torcida é maior que a CBF e a Fifa juntas, é maior que o Maracanã e maior que o maracanazo uruguaio; é maior que Pelé, Maradona e Zidane no mesmo campo.


Os Donos da casa. Foto: Alexandre Vidal


O que eles não entendem, é que o amor dessa torcida é maior que o amor do Brasil, despertado de 4 em 4 anos pela nossa seleção. A nossa torcida é maior do que injurias, perjuras e provas de amor. É maior que os rivais do Rio, de São Paulo e da Argentina. Nossa horda é maior que o Barcelona de Messi, os títulos do Slater e as medalhas do Phelps juntas.

Para que entendam isso de verdade, eles precisariam estar lá dentro do caldeirão, onde a bateria dita o ritmo do coração, onde a garganta se esvai, mas o grito não se cala. É lá, bem no olho do furacão, que essa torcida renasce a cada jogo, onde a alma de um ser vivo e único desperta, onde o gigante treme a terra e apavora os adversário, onde o décimo segundo jogador acorda, aquece, entra em campo e faz a diferença, onde tudo aquilo se torna maior do que qualquer um de nós, onde encontramos um sentimento maior que a idolatria e maior que o próprio amor, porque o que sentimos não é apenas amor, é algo que não pode ser traduzido por um punhado de letras, o que acontece lá dentro é maior do que todos nós, provavelmente, é o espetáculo predileto de Deus.

O que eles não sabem, na verdade,
é tudo o que estão perdendo.


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*Frase do tricolor Nelson Rodrigues

terça-feira, 7 de maio de 2013

Casaco tem um cheirinho de saudade, né?

(A não ser que você seja usuário de transporte público, pois aí tem cheirinho de ácaro mesmo... Atchiinn!!)

Ontem pela manhã caiu uma chuva torrencial no meu bairro e, finalmente, São Pedro conseguiu baixar a temperatura na cidade.
Sou carioca, mas não sou idiota, sei que 23 graus não é frio, mas, mesmo não sendo idiota, ainda sou carioca e tirei meu casaco do armário.

Impressionante como o casaco tem um conforto nostálgico. No meu caso, são de lembranças embaçadas, amorfas, que dão uma sensação de sentimento vazio, mas boa. Tempos nebulosos. Talvez tenham existido, talvez não, mas estão por ali, em alguma parte da minha cabeça maluca.
Sinto apenas aquela vontade de ficar em casa, como ficava na infância, logo após o colégio, quando me revezava entre estudar (obrigado...) e jogar Super Mário no Super Nintendo (obrigado!).
Ou sinto a vontade de sempre: fugir por aí, desligar os celulares e fazer panquecas de banana como um cara havaiano canta pelo mundo. Mas pensando bem, pra essa última vontade brotar não necessito de tempo frio, só de tempo pra pensar mesmo.
Sumir por uns tempos com alguém especial e roupas confortáveis é o sonho de todo cara que se preze.

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Mas é fácil pensar em ficar marolando, quando se tem um arsenal de casacos e camisas de frio no guarda-roupas, vídeo-game e uma namorada cheirosinha.
Obviamente quem não tem algo parecido pensa diferente. Quem vive nas ruas em tempos como estes tem ideias menos elaboradas e muito mais importantes do que as minhas.
(Como arrumar um casaco e não sentir frio?)

Pra quem também pensou nisso estes dias, mas não tem alguma igreja perto de casa, ou algum local que recolha doações, ficadica:

Exército da Salvação
Site: http://goo.gl/Uao80

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Deita aqui, mas deita até a sexta virar segunda




Deita aqui, mas deita sem pressa, deita a semana inteira. Vem e se encaixa no meu abraço, até que a lua dê espaço e o sol invada a nossa cama, daí a gente levanta só pra poder deitar de novo mais tarde.
Deita comigo até que os olhos se revirem, até que os lábios sussurrem, os lençóis se embolem e o controle da TV desabe. Deita comigo até não termos mais forças e nem motivos para ficarmos de pé.
Deita aqui, até que o café esfrie, até que a cerveja esquente. Deita aqui e me olha com esses olhos assustados, fica do meu lado até as folhas despencarem e o frio bater à porta, e, quando as flores brotarem e anunciarem outra estação, deita comigo no parque, porque é primavera, meu bem, morde uma fruta enquanto as crianças correm no gramado, deita comigo porque, nesta época, a vista da Quinta é ainda melhor.

Deita comigo em São Cristóvão, deita comigo no Arpoador, deita comigo em Santa Tereza, e, quando a barriga estiver doendo de tanto rirmos com os amigos, deita comigo no táxi, ou melhor, podemos ir sentados pra evitar o enjoo, mas quando chegarmos em casa, deita do meu lado, porque o teto não cobra ingresso pra gente vê-lo girando.

Deita aqui até a sexta virar segunda, depois me leva contigo pro consultório, que eu te trago comigo pro escritório, então deitamos de novo, no conforto do amor tranquilo, naquela rede onde o coração repousa, e se eu, sem querer, te magoar, baixa a guarda, deita aqui e me perdoa.

Vem e deita no meu ombro, enquanto eu pego no sono assistindo nossa série preferida e só desperte quando meu braço estiver formigando, porque o que faz e sempre vai fazer você especial pra mim, são noites como esta.
De braços formigando.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Nota eterna de um caderno sem lembranças (#1)




Que seja eterno
O desejo de mais
O desejo de cada vez melhor
Que seja eterna
Minha Vontade de você 
E sua vontade de mim
Que sejam eternas
As tardes preguiçosas de domingo
As rimas de amor
E o nosso olhar se olhando.
Que seja eterno
Até a última página.



segunda-feira, 8 de abril de 2013

Vozes


É que tem um cara.
Ele tem aproximadamente a minha idade. Pode parecer estranho, mas ele fala comigo o dia inteiro, contando-me suas histórias e as histórias de outras pessoas. Aparece um pouco antes da minha mente pegar no sono e algumas vezes durante o café da manhã. Não sei sei é por causa do estado reflexivo que o barulho da água me induz, mas ele aparece bastante quando estou no banho ou lavando o rosto. Não é uma regra, mas acontece com frequência.
O que é pior, como se não me bastasse todos estes anos com esse cara insistindo para que eu conte suas aventuras, pintaram outros caras e algumas garotas. Uns vem do futuro, outros do passado. Uns das capitais, outros do sertão nordestino. Uns conhecem o amor, outros não fazem a mínima ideia do que é isso.
Hoje à tarde pintou uma menina, quer falar do amor dela por uma pessoa que não está mais presente, não sei se morreu, ou se saiu pra comprar cigarros e ainda não voltou. Ela ainda não terminou de contar sua vida, mas já despertou o meu interesse.

Mas voltando àquele cara, o primeiro que eu falei. Ele me chama muito a atenção, tem muita atitude, quer colocar o bloco na rua e a cara na janela, acho que é por ser o mais antigo e já andar bem impaciente com o meu descaso.
Talvez tenha chegado a hora de buscar outros formatos.
Egoísmo meu compartilhar somente as minhas experiências, já que tem tanta gente por aí com tantas coisas fabulosas pra nos contar e tramas para nos envolver.

Talvez seja hora de dar voz às vozes. E descobrir o que elas realmente tem a dizer.

terça-feira, 26 de março de 2013

Viajar tem um quê de boas lições


Estaria mentindo se dissesse que dirigir em viagens de carro é o que eu mais gosto de fazer nos fins de semana, mas também mentiria se dissesse que não gosto. Na verdade, tem dias que gosto muito e tem dias que prefiro a janelinha do carona. O ponto é que na minha mais recente viagem, fui em parte passageiro e em parte motorista. Dividido entre ida e volta.
Na ida, tive tempo de olhar ao redor, observar detalhes que não se observa quando se está focado em carros e setas. Pude assistir o momento em que passamos embaixo de uma nuvem que chovia, vimos nitidamente o início e o fim da tempestade.
Foi difícil não pensar em vida.

"Eu posso tá completamente enganado
Eu posso tá correndo pro lado errado,
mas a dúvida é o preço da pureza
e é inútil ter certeza."


Dizem por aí que a vida é uma estrada. Chega a soar idiota. Existem coisas que de tanto ouvirmos, acabam se tornando triviais, passam batidas. Mas sempre é bom vivenciar uma metáfora, nos dá uma sensação de Opa, estou aprendendo na prática! sem igual. A vida é uma estrada que a gente segue de várias formas, ás vezes paramos para abastecer, recarregar. Passamos por tempestades e tempos bonitos. Paramos em um lugar, partimos para outro, cruzamos com outras estradas, outras histórias. E pra quem vive sempre no seu cantinho, a vida é uma estrada que passa na sua calçada, onde você pára no final da tarde para observar o movimento.
Acho que ir de carona abriu minha cabeça para a volta e busquei a poesia em meio ao caos que é lidar com outros motoristas. Tudo ficou romântico, inclusive a matemática.
Cálculos de ultrapassagem. Será que dá?
E os quilômetros que faltam? E se a gente continuasse? Até onde chegaríamos com o que temos de gasolina?

A luta por uma rádio com boa sintonia é uma das melhores. E quando encontramos uma rádio bem sintonizada, será que o setlist está em simetria com a cultura local?
Certo que não.

Já é a segunda vez que preciso ouvir um jogo pelo rádio do carro em uma viagem. Infelizmente, a cultura das capitais vem se transformando e eu venho me transformando com ela. Perdi o costume que já foi o do meu pai e do meu avô.
Acredito que existam várias partidas diferentes em um mesmo jogo de futebol.
Dentre várias, destaco algumas. Temos a partida vista do estádio, temos também a partida nas resenhas esportivas, aquelas das tais mesas redondas. Sem contar com aquela ótima, que rola nas mesas de bar. Existe também o jogo televisionado, onde podemos ver cada detalhe, onde os olhos nus são vestidos.
E existe aquela, que pra muitos é a mais romântica partida de futebol que existe, a partida transmitida pelo rádio. Nela, o bom jogador vira craque, o mal jogador vira perneta e a bola isolada vira Uhhhhhh!!!
Recomendo às novas gerações.

Nas paradas da viagem também há poesia. Você faz amigos, troca umas referências de bons destinos para outras possíveis viagens e voilà, fim de amizade.
Aperto de mãos (foi um prazer), um bater de portas, uma buzinada (até a próxima) e pronto, cada um segue a sua vida.
Sua estrada.

"Se alguém quiser desviá-lo do bom caminho, não o acompanhe:
siga a estrada reta do bem, pois só assim
conseguirá ter alegria em seu coração.
Estude o mais que puder,
ouça os conselhos de seus pais,
seja puro e sincero em suas afeições,
pois assim construirá uma vida nobre
e digna."

 - Minutos de sabedoria
(gentilmente cedido pelo meu saudoso vô Dodão.)

quinta-feira, 21 de março de 2013

Aproveitando o embalo pra falar que na prática, a teoria é outra.


Na dúvida pela escolha de um título para um texto, apresentei algumas opções a um amigo. Ele fez sua escolha, porém, sugeriu que eu retirasse algumas palavras que, segundo ele, formavam uma boa frase, mas longa demais para um título. Longe de mim questionar um conselho de um grande amigo, serão sempre bem vindos, ainda mais quando solicitados por mim, mas aquilo me fez pensar melhor sobre o que eu estava fazendo ao reingressar no universo dos blogs e o que isso realmente significa pra mim.
Cheguei à algumas conclusões.

Desde que comecei a trabalhar com criação publicitária, passei a praticar uma coisa chamada desapego. Pratico o desapego diariamente. As pessoas não fazem ideia do que se passa com uma campanha antes dela ser veiculada, entre aprovações e reprovações, passa por pitacos e parcelas de vaidade de pessoas que querem ter o orgulho de dizer que participaram daquilo.
Certa vez, em reunião com um cliente, ouvi dele a seguinte frase: "Faço como o meu pai, fico no canto, com um capinzinho na boca esperando os crânios craniarem, quando os crânios acabarem de crâniar, eu me levanto e peço a palavra."
Aquilo foi lindo, tive pra mim que aquele seria um dos melhores projetos que eu iria trabalhar.
Infelizmente, sabedoria não é genética. Da lição, vimos apenas a teoria.

Mas não vem ao caso falar da competência ou égo de ninguém. Não que o setor de criação seja o dono da razão, muito pelo contrário, uma boa campanha depende de muito mais que isso, além do que, volta e meia aparecem sugestões e até rejeições de clientes que fazem toda a diferença no resultado final.
Só quero destacar, que faz parte do processo não se levar tão a sério. Foi assim que eu aprendi com o passar dos dias, ouvindo e trabalhando com gente que eu admiro. E assim vou levando meu trabalho de forma leve e saudável. Não me levando tão a sério. Sendo aluno master do desapego. Até porque, graças a Deus, não sou o dono da verdade.

Mas vamos separar bem as coisas. Quando fiz mais este blog, não fiz para obedecer regras e padrões que se encaixem no que é "certo". Não fiz para utilizar fórmulas. Fiz por mim, pra fazer o que me der na telha, sem fórmulas ou roteiros. Essas divagações eu faço quando a noite vira madrugada, pra dar um passo a mais nesta minha eterna busca por crescimento. É somente o meu passatempo no intervalo dos jobs da agência.

Opa, olha aí... um forte candidato à vaga de nomes pro blog.
Entre Jobs.
Mas isso é papo para outra publicação...
Uma publicação sem censura, sem politicamente correto.
Nem boa, nem ruim.
De coração.

terça-feira, 19 de março de 2013

Aproveitando o embalo pra falar de coisas simples


Coisas bobas me fazem refletir seriamente sobre a vida. Sobre como eu a levo e sobre como ela me leva. Um grande problema é o fato de que eu não consigo parar de pensar sobre as coisas que me cercam.

Esses dias, estava pensando em como é seguro o nosso lar. Fazer coisas do cotidiano, coisas simples como dormir na nossa cama, assistir a nossa TV, arrumar a ordem dos nossos livros, cochilar no nosso sofá. Dentre tudo isso, escovar os dentes tornou-se ainda mais confortável pra mim. Há algum tempo somou-se uma nova escova de dentes às escovas da casa e isso me fez bem.
Uma vez, ouvi dizer que Deus está nos detalhes, fiquei tão encantado com essa possibilidade que a levo como grande verdade.


"Deus está nos detalhes, e as coisas simples continuam sendo as melhores"- HG


A escova de dentes da minha namorada, além de realizar sua função básica de manter sua saúde bucal, estimula minha saúde emocional. Ela me traz um certo conforto, uma sensação de bem-estar difícil de se explicar, mas fácil de se sentir.
Ah, mas não se prendam à escova. Se um dia, sei lá, a gente precisar dela pra um fim de semana na praia e demoramos a recoloca-la no lugar, darei dois passos para trás para ter uma visão mais ampla do cenário, vou encontrar um copo, uma toalha, um bilhete, ou um sorriso. Nada de presentes caros, nem de grandes viagens, nem de grandes promessas. Vou buscar um olhar, um cochicho, ou uma piada dela sobre o meu cabelo.

Afinal, Deus está nos detalhes,
E as coisas simples continuam sendo as melhores.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Nota Explicativa: Whatever Diário


Revirando algumas gavetas virtuais, dei de cara com este blog, criado há meses, mas ainda intacto, imaculado, esperando por palavras que dessem sentido à sua criação.
Coitado, se algum dia houve sentido pra ele, foi perdido entre os dias acumulados.

Seu título não faz mais sentido pra mim.
Talvez eu quisesse falar sobre coisas levianas do dia-a-dia, talvez eu estivesse pouco me ferrando se ele seria atualizado diariamente. Posso seguir com interpretações, mas julgo menos desinteressante falar sobre o motivo de retomar com mais este blog agora.

Assim, sem pensar a fundo, julgo ter sido pelo simples fato de que tenho meu próprio tempo. Em um mundo onde a timeline não dorme, onde todos informam e são informados, teimo em manter meu próprio tempo. Não é tarefa das mais fáceis, falho exaustivamente ao tentar executá-la, mas, ainda assim, tento.

Decidi que agora é a hora de desenferrujar os dedos e tirar alguns projetos da gaveta. Decidi que é hora de desabafar em cliques. Decidi que era hora de puxar assunto, de contar algumas histórias.
Hora de retomar a caminhada.